Sala com vários computadores de análise de tráfego e mobilidade

O verdadeiro gargalo dos estudos viários

Todo coordenador de mobilidade já viveu essa situação: o contrato está assinado, a equipe de engenheiros está escalada, as ferramentas de simulação estão licenciadas e prontas. Mas semanas se passam e o projeto não avança. Por quê? Porque as informações básicas sobre o tráfego atual ainda não estão disponíveis. 

Pesquisa envolvendo 1.369 obras públicas auditadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) entre 2008 e 2015 revela números alarmantes: 71% dos contratos registraram aditivos financeiros e 86% precisaram de extensões de prazo. Mais preocupante ainda: em 55% dos casos analisados, os acréscimos foram causados por falhas na fase de elaboração dos projetos. Embora esses números se refiram a obras físicas, refletem um problema que começa muito antes, nos estudos técnicos que as fundamentam. 

O problema raramente reside na competência técnica dos profissionais envolvidos. As equipes dominam ferramentas sofisticadas de modelagem e simulação. Sabem interpretar fluxos, avaliar níveis de serviço e propor intervenções adequadas. Mas ficam impedidas de avançar por falta do ingrediente mais elementar: números confiáveis sobre quantos veículos circulam pelas vias analisadas. 

O obstáculo que paralisa cronogramas 

A coleta de informações sobre tráfego deveria ser a fase mais direta de qualquer estudo viário. Na realidade, transformou-se no principal limitador de prazos e capacidade produtiva. Empresas de consultoria enfrentam desafios operacionais complexos: equipamentos de gravação com resolução irregular, ângulos de captura inadequados, taxa de quadros reduzida em ambientes com pouca luz, fluxo veicular imprevisível em períodos não convencionais. 

Isso transcende questões de produtividade. É um problema de sustentabilidade empresarial. Consultorias gerenciam simultaneamente vários contratos, dependem de terceiros para execução de levantamentos, e esbarram na impossibilidade física de ampliar operações. Quando as informações básicas atrasam, todos os compromissos subsequentes são impactados. 

Mudanças estruturais na composição do tráfego brasileiro 

 Cada categoria de veículo apresenta uma dinâmica própria no tráfego, demanda espaço diferenciado, gera impacto específico sobre a infraestrutura. Métodos tradicionais de levantamento até conseguem registrar essa complexidade, mas para manter a consistência e a precisão, é necessário muito mais tempo. 

Elevação das exigências de documentação e rastreabilidade 

Paralelamente, gestores públicos aumentaram substancialmente suas expectativas em relação aos estudos apresentados. Exigem demonstração clara de como as informações foram obtidas, por quais métodos, sob quais condições. Demandam que os mesmos critérios sejam aplicados uniformemente em todos os pontos de medição. Esperam que os resultados possam ser comparados objetivamente entre diferentes dias, horários e localizações. Requisitam fundamentação técnica transparente para todas as conclusões. 

Muitas organizações carecem de recursos para atender esse nível de rigor documental sem esforço duplicado significativo. Levantamentos pontuais executados por equipes diversas em momentos distintos geram informações difíceis de uniformizar e virtualmente impossíveis de verificar retrospectivamente. O próprio TCU destacou que as principais irregularidades em obras governamentais têm origem na etapa de desenvolvimento dos projetos de engenharia, particularmente na elaboração prévia do projeto executivo, resultando em orçamentos inadequados e previsões irrealistas que causam baixa qualidade na execução, postergações, rescisões contratuais ou combinação desses problemas. 

Estudos viários constituem o alicerce desses projetos. Se as informações de tráfego que sustentam as análises carecem de confiabilidade e rastreabilidade, toda a estrutura subsequente fica vulnerável. 

A pressão entre velocidade e limitação de recursos 

A exigência de entregas rápidas conflita diretamente com processos de levantamento demorados e intensivos em mão de obra. Um estudo típico de impacto no trânsito pode requerer medições em diversas localizações distintas, abrangendo vários dias e múltiplos períodos. Organizar equipes de campo, processar informações brutas, identificar e corrigir discrepâncias, consolidar relatórios finais consome várias semanas. 

Durante esse intervalo, clientes aguardam respostas, prazos regulatórios se aproximam, e a empresa fica impedida de aceitar novos compromissos porque seus profissionais estão dedicados a atividades operacionais de baixo valor técnico agregado. A limitação de crescimento é evidente: dobrar a capacidade de análise exigiria ampliar proporcionalmente a força de trabalho dedicada a levantamentos. Mas recrutar, capacitar e coordenar equipes maiores eleva custos estruturais e adiciona camadas de complexidade gerencial. 

Automatização resolve o entrave operacional 

A análise computadorizada de registros visuais de tráfego, como a desenvolvida pela ContaVias, endereça precisamente esse obstáculo operacional. Utilizando inteligência artificial adaptada às condições brasileiras, a tecnologia processa gravações e extrai automaticamente: 

  • Registros organizados por intervalo temporal: Informações estruturadas por hora, revelando não apenas momentos de pico isolados, mas toda a evolução do fluxo durante o período analisado. Isso viabiliza estudos temporais que levantamentos pontuais não conseguem capturar. 
  • Segregação automática por categoria veicular: A inteligência artificial distingue e quantifica separadamente automóveis, motocicletas, caminhões, transporte coletivo, entre outros. Essa especificidade é indispensável para compreender a real composição da frota e calibrar intervenções apropriadamente. 
  • Análise paralela de múltiplas localizações: Enquanto levantamentos convencionais exigem multiplicar equipes de campo, a análise computadorizada processa simultaneamente mais de uma via das gravações mantendo uniformidade e qualidade. 
  • Agilidade incomparável: O que demandaria semanas através de métodos convencionais é concluído em poucos dias. Isso não apenas acelera projetos individuais, mas multiplica exponencialmente a capacidade produtiva da organização. 

Crescimento sem proporção direta com recursos humanos 

Um dos ganhos estruturais mais importantes da automação é a possibilidade real de expansão. Com a análise automatizada, a capacidade de processamento cresce sem exigir mais mão de obra, permitindo atender mais clientes ao mesmo tempo, assumir estudos maiores e responder rapidamente a demandas urgentes. Essa escalabilidade não é apenas técnica — é também financeira. Menos tarefas manuais reduzem custos, aumentam margem e fortalecem o posicionamento em licitações, já que a empresa consegue entregar mais, com mais qualidade e em menos tempo. 

Conclusão: Informações são a base do projeto 

Estudos viários exigem alta competência técnica, mas essa expertise só se sustenta quando apoiada por informações precisas e confiáveis sobre o comportamento real do tráfego. Quando os dados são desatualizados ou inconsistentes, todo o processo se fragiliza: prazos se estendem, custos aumentam e a qualidade final se perde. 

ContaVias oferece uma base de informação sólida e auditável, transformando um antigo gargalo operacional em vantagem competitiva. Com análise automatizada, consultorias aceleram entregas, ampliam capacidade e liberam especialistas para focar no que realmente importa: engenharia de alto nível. 

O maior desafio dos estudos viários não é técnica — é infraestrutura eficiente de obtenção de dados. E a ContaVias entrega exatamente essa solução. 

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